ASSISTI
 O Sonho de Cassandra - Cassandra's Dream
Eu odiava Woody Allen. Até assistir um filme inteiro dele... Minha 1ª experiência com o diretor neurôtico, foi uma passada de olhos rápida em "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas não tinha coragem de perguntar", numa exibição em um SuperCine da vida. Achei, o pouco que vi, horroroso, e me perguntava, porque as pessoas idolatravam tanto um baixinho esquisito, que impunha a intelectualidade novaiorquina em seu trabalho. Aí, depois de exercitar muito minhas caretas contra Mr. Allen, "tive" que assistir a filmes dele. Explico: Participava de um Cine Clube, e teríamos uma semana de debates sobre Metalinguística no cinema. Bem, no sorteio de quem ia comentar cada sessão, eu saí com "A Rosa Púrpura do Cairo". Eu pensei em protestar, mas acabei aceitando o desafio. E já que eu tinha que comentar um filme do cara, fui a locadora e, além de alugar o título em questão, peguei mais três filmes da pessoa: "Hannah e suas irmãs", "Assassinato em Manhatan", "Tiros na Brodway". É claro, que depois de assistir ao primeiro, eu já estava me maldizendo até a quinta geração. E quando terminei com a mega sessão Woody Allen, estava convencida de que ele era um dos melhores diretores do mundo. Consertado esse erro de julgamento, passei a assistir a obra da criatura, e cheguei à conclusão de que filmes de Woody Allen são como Pizza ou chocolate. Mesmo quando são ruins, são bons. Não tem como fugir do fato, de que, por mais preguiçoso que seja o roteiro, sempre teremos diálogos interessantes e um trabalho de direção de atores impecável (este homem transforma verdadeiras "portas" em bons atores, vide Jeff Daniels e Mira Sorvino - ela tem um Oscar!!!!!!). E isso tudo nos leva a "O Sonho de Cassandra", filme mais recennte do diretor, que está em cartaz na cidade. Não é a obra-prima desse senhor, mas tem lá a sua marca. Boas pitadas de suspense, climão tenso, diálogos bem escritos e umas das antigas obsessões do diretor: temas inspirados em tragédias/mitologia grega. Desta vez temos dois irmãos: Ian (Ewan "TUDODEBOM" McGregor) e Terry (Colin Farrell), super unidos, embora tenham temperamentos bem diferentes. Acontecimentos diversos e inesperados, exigem que ambos arranjem uma boa quantia de dinheiro. Eles recorrem, então, ao rico Tio Howard (Tom Wilkinson), que pede uma "pequeno" favor aos sobrinhos desesperados. A partir desse pedido, tudo parece desmoronar, e todas as decisões, por menores que sejam, parecem levar ao caminho errado. Parece que essa é a nova mania de Woody Allen: Mistério, além de Londres é claro. O caro parece ter trocado seu cenário predileto por 30 anos, Nova York, pela nublada capital inglesa. Até o momento, tem servido para manter o ritmo, embora ele ainda não tenha concebido sua "obra de arte européia". Mas ele pode continuar tentando, que a gente não se incomoda com a experiências. Recomendado para fã de Woody Allen.
Escrito por Drica às 17h12
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ASSISTI
 Paixão Proibida - Silk
Há cerca de quatro anos, recebi uma indicação fervorosa de leitura. A defesa da obra "Seda" do italiano Alessandro Barico, foi bem convincente. Comprei o livro no dia seguinta à indicação e o li no mesmo dia, em uma única sessão (ok, o livro tem apenas 140 páginas, mas ainda assim, não costumo ler mais que cinquenta páginas diárias). O texto é excelente!!! Literatura de primeira, com ritmo, profundidade, fluidez. A narrativa tem um quê de musical, não em gênero, mas em sonoridade, estrutura. As viagens do jovem Hervé ao Japão sempre são descritas em um parágrafo, que pontua o mesmo trajeto, com as mesmas coordenadas, mas com palavras diferentes e ordem inversa, que dá a cada viagem um significado diferente. Primor de leitura. Natural que eu tenha ficado empolgada, quando soube que o livro ganharia versão cinematográfica. Meu entusiasmo já começou esfriando quando vi o trailer. Achei a escolha de elenco meio equivocada. Se de um lado tínhamos o ótimo Alfred Molina para desempenhar o papel de "mestre/chefe" do comerciante Hervé, escolheram um apático Michael Pitt ("Sonhadores", "Cálculos Mortais", Dawson's Creek") para viver o protagonista. E sua interpretação mono-facetada não ajuda na composição do misterioso Hervé, uma jovem francês, tranquilo, casado, que acaba virando, por acaso, um negociador de bichos -da-seda, cuja principal tarefa é atravessar o mundo para conseguir a matéria prima no Japão. E por lá, na terra do sol nascente, encontra mais mistério e motivos para voltar do que imaginava. Pra completar a sequência de erros na escalação do elenco, escolheram Keira "Sem Sal, Nem Açúcar" Knightley para ser a esposa gentil, prestativa e compreensiva do moço. A bela fotografia não salva a produção, que é burocrática, óbvia e sem atrativos. O charme do texto de Barico fica negligenciado, pela vontade de contar um estória de forma compreensível e justificável. Uma pena. O que resta fazer é reler o livro e lembrar que a história vale a pena... pelo menos, no original.
Escrito por Drica às 16h38
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