Eu não assisti os outros filmes de Kar Wai Wong (o aclamado diretor de "Eros", "2046" e "Six Days"). Portanto não tenho como (dis)concordar com as críticas a "Um Beijo Roubado", de que o moço responsável perdeu a mão e que este não imprime a grande personalidade asiática-genial-cinematográfica, alardeada aos quatro ventos, nos últimos festivais internacionais do cinema independente. E sendo estreante no papel de espectadora do trabalho dele, vou dizer que gostei sim, obrigada por perguntar. O filme tem aquela cara de filme independente, com uns enquadramentos esquisitões (mas legais, vejam bem), música boa (muito boa), fotografia variando, de acordo com o estado de espírito dos personagens, uns cortes abruptos de cenas. Como em todo filme independente que se preze, esse também traz ótimas interpretações. Deixem que eu comente isso, enquanto resumo a estória. A protagonista, Elizabeth (a cantora Norah Jones, em sua estréia como atriz), acaba de romper um relacionamento, de forma não muito amigável e busca abrigo/conselho/companhia em um café, próximo ao apartamento que dividia com o (agora ex-)namorado. Ela encontra na figura de Jeremy, um inglês boa praça (Jude Law),dono do estabelecimento, alguém para desabafar e lhe fazer companhia nos "turnos" em que ela passa as noites do local, esperando que o ex vá buscar as chaves da casa, que estão lá no balcão, em uma jarra, junto a outras tantas chaves esquecidas/deixadas por ali. Enquanto ela procura uma resposta para o "Por que acabou?", divide a torta de blueberry, que sempre sobra (fato tão inexplicável quanto a história dela não ter dado certo). Mesmo com a agradabilíssima companhia e o suporte dado por Jeremy, Lizzie decide viajar, atravessar o país (no caso os EUA) em busca de respostas. E aí, nessa viagem que a moça vai encontrando tipos que lhe dizem mais sobre ela, do que ela própria poderia imaginar. Arnie (David Strathaim), o policial alcóolatra, que não se recupera da separação de sua esposa; Sue Lynne (Rachel Weiz), a tal esposa, que quer esquecer o passado de mulher casada e Leslie (Natalie Portman) uma viciada em jogatina, que está em fuga. Todas interpretações muitíssimo competetentes. Jude Law aparece pouco e não "pesa" muito no desenrolar da narrativa, mas ele não precisa, né? E quanto a Nora Jones, ela ainda está pouco a vontade na tarefa de interpretar. Mas sua boa vontade, sua graça e doçura, caem muito bem em Lizzie, o que ajuda um bocado. Na soma dos fatores, eu acabei gostando do filme, sim. Inclusive por seus defeitinhos... Eu recomendo, para pessoas sensíveis.
Abgail Breslin conquistou minha simpatia já da primeira vez que a vi, como a filhinha crédula de Mel Gibson em "Sinais". O meu respeito, ela conquistou no aclamado "Pequena Miss Sunshine", papel que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, aos 11 anos de idade. A atriz, por si, já me faria assistir a um filme. Agora se o filme for uma comédia romântica, e tiver o Ryan Reynolds (que é gaaaaaaaaaaaaaato) no elenco, como pai amoroso e gente boa, não existe chance de eu ignorar a produção. Então, o filme. Tudo começa com os indícios que um casamento foi "pro saco". Will Hayes (Ryan Reynolds) tem a tarefa de fazer essa crise ser o menos traumática possível para Maya (Abgail Breslin), sua filha de 10 anos. Quando questionado sobre o fim do amor, ele resolve sugerir um jogo para a menina e passa a contar as histórias das três vezes em que ele realmente se apaixonou na vida, mas trocando os nomes das personagens, para que Maya descubra qual é a história que envolve sua mãe. A produção é um bocado divertida, principalmente no quesito "fatos datados", já que a narrativa se estende de 1992 a 2007. O pano de fundo do início da estória é a campanha presidencial de Bill Clinton, na qual Will trabalha, como voluntário (ele acredita que é o bom começo para alguém que tem como sonho se tornar presidente dos Estados Unidos). Três "candidatas" à mãe de Maya pontuam os fatos: A namorada de adolescência, a misteriosa-culta-sexy jornalista e a moça que não tem nada em comum com o moço, mas que é parceira para toda hora. Embora o filme dê umas pistas sobre que caminho a estória vai tomar, há momentos de boas surpresas. O filme é sensível, bonitinho, divertido, enfim, um bom programa, indiscutivelmente. Principalmente para pessoas de coração mole (Tipo "mulherzinha"... como eu). Eu recomendo!