HISTÓRIAS QUE O POVO CONTA

O Bilhete
Alice acha pequenos gestos muito valiosos. O fato de ela ter pulado certas fases em relacionamentos do passado, a faz achar extraordinárias coisas simples, como andar de mãos dadas na rua, receber bilhetes lisonjeiros, receber ligações surpresas convidando para encontros. E quando alguém próximo passa por algo dessa natureza ela sempre observa com curiosidade, imaginando quando e se aconteceria com ela.
Dia desses, durante a aula de Latim Básico em que ela se matriculou, para melhorar seu currículo e aumentar o acesso a coisas raras e interessantes, ela desviou os olhos do professor por um instante para ver quem entrava atrasado na sala. Todo o Latim apreendido até aquele momento se foi. Mais embaraçoso ainda era perceber que o rapaz, basicamente uma representação humana de alguma divindade greco-romana, se deteve alguns momentos e ficou ali a olhar para ela, como quem perguntasse: "Será que ela está olhando pelo motivo que eu?" Ele se dirigiu ao fundo da sala, único local com cadeiras disponíveis (E Alice pensou que minutos antes deixou que uma senhorinha sorridente e MUITO falante ocupasse a cadeira a seu lado, e agora ela só conseguia imaginar que certamente o Sr. Atrasado teria um perfume infinitamente mais agradável que a colônia tipo “Avon” da colega...). Por duas ou três vezes Alice olhou para trás e flagrou a pessoa olhando em sua direção, como se mirasse algo em seu pescoço, e ele morrendo de vergonha quando era pego em seu momento de contemplação. Já quase no final da aula, alguém sentado logo atrás de Alice bate em seu ombro e lhe passa um bilhete. Primeiro ela pergunta se é algo para passar para o professor. “__ Não, é pra você!” Os joelhos começam a tremer. Será que esse seria o tão esperado bilhete galanteador que ela esperou até então? No futuro eles lembrariam daquele bilhetinho bobo e ririam muito, toda vez que contassem como se conheceram. Devagar, Alice abriu o bilhete e de cara estranhou a caligrafia absolutamente feminina. No papel a mensagem: “Desculpe a indiscrição, mas adorei o seu casaco e estou à procura de algo do gênero, pois vou viajar para o Sul mês que vem. Onde você o comprou? Grata”
Alice olhou para trás, e a duas cadeiras da sua uma mocinha esperava ansiosamente por sua resposta. Ela já jogou por terra todas as esperanças da pessoa, informando, via bilhete, que comprou em uma viagem de férias, em outro Estado. Quando virou-se para devolver o bilhete, deu uma última olhada, de soslaio para o Sr. Atrasado, que tão concentrado estava na explanação do professor, que dificilmente perceberia um meteoro caindo ao seu lado. Alice tratou de olhar para frente e tentar recuperar os últimos minutos de informação que tinha perdido.
Escrito por Drica às 10h07
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ASSISTI
Homem-Aranha 3

Confesso que fiquei bem decepcionada com o 3º episódio da série do Homem-Aranha para o cinema. Os dois 1ºs filmes são produções bem humoradas, fiéis ao espírito dos quadrinhos e têm charme e leveza. São entretenimento de 1ª! Já o 3º é fraco. O competente Sam Raimi (um cara criativo e "cool, que normalmente imprime seu estilo nos filmes que dirige) parece ter se perdido em algum momento. A levada da primeira hora do filme até promete uma bom programa. Mas algo desgringola na parte final da história. Ok, um herói que demonstra fragilidade é bacana, afinal é assim que as pessoas se identificam com as figuras, não é mesmo? Mas um mocinho que chora, como uma criança mimada, durante a metade da história, dá nos nervos. Ninguém merece o momento EMO de Peter Parker. E a presença de 3 vilões "acidentais" me parece meio forçada. Talvez o mais irritante seja a corrida nos últimos momentos do filme para resolver tudo, de forma pouco convincente e, às vezes descabida. Me lembrou muito último capítulo de novela da Globo. Uma pena, em se tratando de Sam Raimi, e de Homem-Aranha.
Escrito por Drica às 09h55
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MÃE

Já são dez anos sem D. Teresinha. Mesmo que a saudades só cresça com o passar do tempo, a cada ano eu só consigo ficar mais contente por ter podido contar com ela nos 1ºs 21 anos da jornada. A cada novo desafio, cada provação fica claro que a forma como ela nos preparou foi a mais acertada. E a distância física não impede que a proximidade afetiva cresça conforme amadurecemos.
Eu desejo, às mães das minhas pessoas preferidas, que o dia seja perfeito:
FELIZ DIA DAS MÃES Ângela (que está se saindo muitíssimo bem com o pequeno Luizinho!), D. Augusta (a Melhor Avó do mundo), Tia Antonia, Tia Clara, D. Silene, D. Cleo, D. Djanira, D. Rita, Tia Márcia, Tia Jaciara, (Tia) Laurita, D. Massaio, D. Ana, D. Saula, D. Hilda, D. Antonia Silva, Tia Livonete, D. Neide, Tia Ermínia, D. Cecília, D. Ramos Mãe, D. Doroty, D. Lourdes, D. Terezinha, Tia Sueli, D. Sue Lene, D. Fullen Mãe, D. Amélia, D. Di Orio Mãe !!!!
Escrito por Drica às 10h55
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SOBREVIVENTE
Então! Finalmente o evento internacional no qual eu estava trabalhando acabou. Ufa! Foram cinco dias de correria, trabalho, estresse e provações impensáveis. Mas tirando as questões burocráticas e oficiais do trabalho, vamos a algumas das curiosidades dos últimos dias.
Episódio I
Um moço francês, esbaforido pára a sua frente e pergunta:
__ Are you Verônica?
Eu queria dizer que era, para aquela criatura enorme, de olhos azuis e elegantérrimo, mas...
__ No, but I work with her. Can I help you?
Então a pessoa começa a falar em disparada um inglês mega confuso, complicado pelo fortíssimo sotaque francês, algo sobre ser da assessoria de imprensa de uma das agências envolvidas. Eu, perdida, peço:
__ Excuse me. Can you speak slowly. My english isn’t good enough to follow you.
__ OK. Spanish?
__ Si, si. Yo hablo español. Compreendo mejor que hablo, pero podemos hablar en español.
__ Ok... so, we need... bla bla bla bla (em um inglês ainda mais corrido e confuso que o anterior).
Por que pergunta se não vai levar adiante, hein!?!?!
Episódio II
Logo após domar um grupo de jornalistas sedentos por informações e meio confusos sobre o que realmente estava acontecendo ali, o Spokesman da agência, que nos contratou para o serviço de atendimento à imprensa por aqui, vira pra moça aqui e diz:
__ Great job Miss Mendes! We need someone like you work with us in Amsterdam. I think I will take you to Netherlands.
__ Oh, thanks!
__ By the way, are you married? Because when I saw you I thought how beautiful our baby will be…
Eu tive que agüentar este mala por cinco dias inteiros. Nobody deserves!
Episódio III
Um moço, de país não identificado, mas claramente localizado na África, chega à sala de imprensa procurando por “the blonde one”. Sim, eu, para quem ainda não adivinhou. Em inglês, português precário e um dialeto africano, a pessoa começou com uma história complicada sobre precisar da indicação de um motorista bilíngüe para uma embaixada. Após dizer umas três vezes que, infelizmente eu não tinha ninguém que pudesse indicar, a criatura pergunta se pode me procurar no dia seguinte para saber se eu já tinha conseguido alguém. Não querendo ser grossa, dizendo diretamente que eu não era uma agência de empregos internacional, o encaminhei para o pessoal da organização do evento. Em uma última tentativa o cidadão pergunta.
__ Is there a phone number that I can talk to you?
Passei o telefone geral da recepção, já que eu não poderia mais ajuda-lo. Aí, a pessoa solta:
__ And... what’s you phone number? To talk to YOU?
A frase veio seguida de um olhar 43 e ½ … Ninguém merece!!!!!
Escrito por Drica às 10h23
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