COMO ASSIM?
Manuela, ou melhor Manu, como é conhecida e tratada por todos, anda preocupada. Essa moça amiga, que um dia já foi doente de timidez e jurava que ia conhecer Jesus, sem antes saber o que era fazer parte de um casal, hoje é uma mulher resolvida, que descobriu que o importante é ser feliz, curtir a vida, e que o ditado “Antes só, que mal acompanhada”, tão repetido pela sua santa mãezinha, faz todo o sentido. Mas a preocupação dela é que, agora, depois de ter aprendido, a duras penas, o que vale e o que não vale a pena nesta vida, deu de cara com o passado, dia desses. E pior, um passado que ela imaginava nunca ter existido. Explico: A long time ago, in a galaxy, non so far... Manu, cansada de solidão, resolveu dar corda a uma história, que já nascia fadada ao fracasso. Achando, naquela época, que qualquer coisa valia para se livrar do estigma de moça solitária, cedeu às investidas de um galanteador de carteirinha, acreditando que se ela fosse legal, bacana, atenciosa, carinhosa, divertida, solidária, companheira, o moço em questão acabaria sacando que tinha tirado a sorte grande e ia cair de amores por ela, já que ele tinha deixado claro, que tinha jogado todas as suas cartas no jogo de conquista, mas que só queria curtir, pois sabia que ela não era “The One”. Todo leitor atento e com um pouquinho de esperteza sabe o que aconteceu à nossa Manu, não é? Óbvio que ela se deu muito mal, apostando em uma relação “moderna”, que se baseava em encontros escondidos, em locais pouco freqüentados, fatores que não impediram que o tal ocupasse toda a agenda de Manu, ligasse de manhã, de tarde e de noite, a tirasse da cama no meio da noite para ouvir como as coisas eram cruéis e complicadas para o “reizinho”, para levá-lo ao pronto socorro, em meio a uma crise de enxaqueca, incentivar o debate dela com a avó dele, sobre que cores de tecido seriam legais para as novas cortinas do quarto de costura; convencê-la de que seria SUPER legal ser ouvinte das aulas de Oboé, ou de culinária macrobiótica, que ele fazia. Quando percebeu que a história lhe rendia mais lágrimas, angústia e incertezas do que qualquer outra sensação que fosse boa, Manu caiu na real e viu que o príncipe encantado, na verdade era um dragão de Komodo, imaturo, egoísta e cruel. Apesar de não ser nenhuma novidade, sua descoberta, a fez perceber como estava deixando de ser ela, e se tornando a sombra de algo monótono e sem graça. Aí ela deu pulos de alegria por conseguir sair do poço, a tempo, e mais atenta. Além de absolutamente aliviada por ter sido tudo “secreto”. Pois dessa forma ninguém saberia que ela tinha se entregado ao lado “negro da força” por tão pouco. Que tinha deixado de ser ela por nada... Isso a deixou em paz.
Aí vem a preocupação da amiga: Dia desses, na companhia de Sofia, sua fiel confidente e amiga, Manu foi ao teatro, encontrou en passand, um ex-colega do curso de Oboé do “espectro”, que a cumprimentou. Por uma dessas coincidências da vida, ele conhecia Sofia e seu “absurdamente-perfeito-namorado-tudo-de-bom” Guilherme. Depois do “Olá, tudo bem?” veio a seguinte frase: “Ué, onde estão os respectivos?” !!!!!!!!!!!!!!!!
Como assim “respectivo”? A pessoa passa pela vida de Manuela, revira os sentimentos da pessoa, mostra-se um moço mimado, cruel e babaca, faz questão de manter tudo em segredo para não arcar com a responsabilidade de assumir um relacionamento.
Aí Manu, dá graças a Deus por, pelo menos isso, e as pessoas acham que eles eram “respectivos”?!?!?!?!?!?!? Ninguém merece!!!!!!!
Mas eu já apazigüei o pobre coração da cara Manuela, que estava preocupada que a impressão fosse geral, um consenso, e que todos achassem que ela teve como “respectivo” o “Sr. Reizinho”. Disse a ela para negar até a morte e relaxar. Afinal ele nunca assumiu nada mesmo, e ninguém em sã consciência acreditaria em tanto barulho por nada...
Manu relaxou e continua feliz da vida.
Escrito por Drica às 15h28
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