À PROVA DE ENJÔO
Sempre declarei minha admiração pela música de Beethoven, em especial à Nona Sinfonia, que, na minha humilde opinião de ouvinte, é a canção mais linda da história do mundo, assim como o conhecemos! Quando o Coro Sinfônico Comunitário da UnB abriu inscrições para o 2º semestre de 2006, informando que a peça ensaiada seria a tal música, lá fui eu, com toda cara-de-pau que conquistei ao longo dos anos, me oferecer para cantar as notas de Herr Beethoven. E foram seis meses de ensaios. A pessoa aprendeu a pronunciar umas três dúzias de palavras em alemão, se familiarizou com frases do tipo: "sopranos, vocês estão uma oitava abaixo!" ou "contraltos, não é "welt", é weeeeeeltttt"! A Nona na veia, ouvindo no trabalho, no carro, enquanto dormia... "cantando" em todos os lugares, incessantemente!
Por conta dos horários proibitivos do intensivão de ensaiosde véspera com a Orquestra Sinfônica (durante o dia, no meio de semana!), acabei por decidir que não estaria pronta, e à altura para participar da apresentação no Teatro Nacional. Abri mão da vontade. Mas fui lá conferir os colegas cantores. Juro que pensei que fosse achar a peça óbvia depois da superexposição nos últimos meses. E cheguei a acreditar que enjoaria da canção. Ao primeiro acorde, minha pele ficou inteiramente arrepiada. Os batimentos cardíacos pareciam seguir o ritmo dos tímpanos, oboés, violoncellos e violinos. É impossível achar que A Nona seja algo óbvio, e que se possa saturar dela. Eu que já sabia, tive a prova cabal de que a peça é uma obra de arte, e que é eterna, e mágica. Por mais que as pessoas não simpatizem com o tipo de música e não achem que Beethoven foi a criatura mais legal do mundo, é impossível odiar alguém que tenha criado a Nona Sinfonia, bem disse a personagem de "Minha Amada Imortal". Ouví-la é certeza de elevação espiritual. Sempre!
Escrito por Drica às 10h58
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